Memória: o que é, que tipos existem e como compensar dificuldades

São frequentes queixas de memória, designadamente na sequência de traumatismos crâneo-encefálicos, acidentes vasculares cerebrais, doença oncológica. Neste texto, damos a conhecer o que é a memória, quais os tipos que existem e como compensar as dificuldades de memória.
Monitor de computador com post-its manuscritos

 

A memória define-se como um processo de aquisição e retenção de informação, que pode ser:

  • A imagem na sua cabeça quando pensa na sua infância.
  • Conseguir andar de bicicleta sem ter que estar sempre a recordar como o faz.
  • Lembrar-se de dar um recado a alguém.

 

No processo de memorização existem várias fases:

  • Registo sensorial – entrada de informação que vai ser retida brevemente (escassos segundos).
  • Memória a curto prazo – armazenamento da informação por um curto espaço de tempo (até ≈ 20 segundos) graças à repetição ativa.
    • Inclui a memória de trabalho, um sistema que mantém e opera mentalmente a informação no momento presente, organizando-a de forma contínua e recuperando-a quando convém.
  • Consolidação – encaixe dessa informação no cérebro e eventual transferência para a memória a longo prazo.
  • Memória a longo prazo – retenção da informação durante longos períodos de tempo que podem prolongar-se toda a vida.
  • Recuperação – utilização da informação armazenada no cérebro de forma espontânea (sem pistas) ou com o apoio de pistas (reconhecimento).

Por exemplo, quando um livro entra numa biblioteca:

  • É codificado conforme o seu tema.
  • É armazenado junto dos livros com o mesmo tema.
  • Mais tarde, quando precisamos de o usar, é mais fácil encontrá-lo.

 

Que tipos de memória existem?

Existem diversos tipos de memória responsáveis por trabalhar as informações que recebemos (podendo até armazená-las de forma específica), e garantir que o processo de memorização decorra de forma organizada.

Esquema que apresenta os vários tipos de memória: 1 – sensorial; 2 – memória a curto prazo, que integra a memória imediata e a memória de trabalho; 3 – memória a longo prazo, que integra: 3.1 a declarativa/ explícita e a 3.2 – não declarativa/ implícita. A 3.1 declarativa integra a memória semântica e a memória episódica. A 3.2 não declarativa integra a memória de procedimentos, priming e memória associativa. Existe ainda a memória prospetiva.

 

Neste texto, destacamos a memória a longo prazo.

Dentro da memória a longo prazo é possível distinguir entre memória explícita e memória implícita.

A memória explícita, também denominada “declarativa” por a expressarmos através de palavras, refere-se à recordação consciente do passado e de um conjunto de informações como conceitos, pessoas, lugares, acontecimentos.

A memória implícita, também designada “não declarativa”, é uma memória em que usamos as informações de forma inconsciente, como a capacidade de fala.

Dentro da memória declarativa/ explícita temos:

  • Memória semântica – conhecimento geral sobre o mundo, como o significado das palavras, conceitos, aspeto dos objetos.
  • Memória episódica – episódios pessoais ou eventos específicos associados a um determinado tempo e lugar, como quando recordamos o primeiro dia de escola.

Na memória não declarativa/ implícita temos:

  • Memória de procedimentos – memória de capacidades não verbais e procedimentos motores, tal como saber andar de bicicleta ou tocar um instrumento.
  • Priming (não associativa) – tipo de memória no qual talvez não nos lembremos de ter visto ou ouvido algo antes (exposição a um estímulo), mas em que somos mais rápidos a aprender ou reconhecer na segunda vez. Por exemplo, quando vemos publicidade apelativa a um sumo e o compramos quando passamos por ele no supermercado.
  • Memória associativa – aprendemos a associar uma coisa à outra sem ter uma consciência da ligação. Por exemplo, numa famosa experiência psicológica, quando os cães eram alimentados juntamente com o som de uma campainha, eventualmente esse som era associado à provisão de comida. Ao fim de algum tempo, o animal começava a salivar ao ouvir o som da campainha (mesmo não havendo alimento) por estar na expectativa de receber comida.

 

Além destes tipos de memória, que nos permitem muitas vezes recordar eventos do passado (retrospetivos), temos ainda uma memória que envolve lembrarmo-nos das coisas que temos de fazer no futuro:

  • Memória prospetiva – memória de futuras intenções, que nos permite fazer planos, retê-los e recordá-los sempre que necessário. Por exemplo, lembrarmo-nos de comprar leite a caminho de casa ou de que temos uma consulta marcada para daqui a um mês.

 

Como compensar as dificuldades de memória?

  • Fazer registos de forma organizada e consistente: anotar na agenda, criar lembretes no telemóvel, fazer listas de tarefas.
  • Utilizar palavras-chave com as ideias mais importantes.
  • Usar a verificação: repetir a informação para garantir que compreendeu e perguntar quando tem dúvidas acerca de algo.
  • Usar mnemónicas: elaborar esquemas, gráficos, palavras ou frases relacionadas com o assunto que pretende memorizar.
  • Recorrer a pistas exteriores: usar toda a informação que está ao seu dispor no meio envolvente: post-its, placas informativas, internet.
  • Associação a coisas familiares: por exemplo, para decorar um número novo, ajuda associá-lo a alguma data especial.
  • Manter uma rotina organizada: definir horários; colocar as coisas sempre no mesmo sítio.

Artigos relacionados

Privacy Preferences
When you visit our website, it may store information through your browser from specific services, usually in form of cookies. Here you can change your privacy preferences. Please note that blocking some types of cookies may impact your experience on our website and the services we offer.