1. As pessoas com deficiências e incapacidades
2. Dicas práticas de apoio à interação
3. Especificidades na interação de acordo com as alterações nas funções do corpo
1. As pessoas com deficiências e incapacidades
A perspetiva relativamente ao que se designava de “pessoas com deficiências” ou “deficientes” mudou radicalmente. Atualmente, a terminologia utilizada, a abordagem e o racional aplicados são outros e refletem uma forma mais realista, igualitária e atenta à diversidade.
A “pessoa com deficiências e incapacidades” é aquela que tem limitações da atividade e restrições na participação, num ou em vários domínios da sua vida. Estas limitações e restrições decorrem da interação entre as alterações do corpo e os contextos em que a pessoa participa. Tal situação pode fazer com que a pessoa com deficiências e incapacidades tenha dificuldades várias, necessitando de serviços e recursos especializados para participar em igualdade de circunstâncias nestes contextos.
Características do contexto de trabalho que dificultam a participação:
- Atitudinais - presença de ideias pré-concebidas e estereótipos que resultam e se reforçam através de atitudes e linguagem pouco ajustada
- Ausência de acessibilidade aos espaços e ao posto de trabalho
- Ausência de acessibilidade à informação e comunicação
Esta situação pode ser alterada através de ações técnicas específicas nestes domínios, possibilitando que a pessoa com deficiências e incapacidades desenvolva todo o seu potencial no contexto profissional.
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2. Dicas práticas de apoio à interação
- Cortesia geral
- Poderá oferecer-se para prestar assistência à pessoa com deficiências ou incapacidades
- Antes de a ajudar, espere que a sua oferta seja aceite
- Não assuma que já sabe qual é a melhor forma de prestar apoio. É aconselhável escutar atentamente quaisquer orientações que a pessoa lhe der
- Fale diretamente com a pessoa com deficiências e incapacidades como o faria com qualquer outra pessoa e de acordo a situação
- Não faça assunções sobre a existência ou inexistência de deficiências e incapacidades nas pessoas. Algumas pessoas têm deficiências que não são visíveis, como por exemplo, problemas de visão, disfunções orgânicas ou dificuldades intelectuais ligeiras
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- Eventos sociais e reuniões
- Assegure todos os níveis de acessibilidade
- Evite colocar questões diretas sobre as deficiências e incapacidades da pessoa
- Não faça referência às deficiências e incapacidades da pessoa a menos que ela própria aborde o assunto
- As pessoas gostam de falar de outros assuntos que não necessariamente acerca das suas deficiências e incapacidades
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- Entrevistas de trabalho
- Assegure todos os níveis de acessibilidade (por ex: acesso à sala, altura da mesa, dimensão da porta, documentação em formatos alternativos, etc)
- Trate todos os candidatos de modo igual, com dignidade e respeito
- Coloque sempre as questões diretamente à pessoa com deficiências e incapacidades ainda que esta se faça acompanhar por um intérprete
- Demonstre que é conhecedor das deficiências e incapacidades
- Enfoque nas questões que se relacionam com o trabalho
- Dê relevo às competências e capacidades das pessoas deficiências e incapacidades
- Procure saber em que medida a sua situação pode interferir com o natural desempenho da função
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3. Especificidades na interação de acordo com as alterações nas funções do corpo
Uma alteração numa mesma função pode ter impactos diferentes em pessoas diferentes, nomeadamente considerando aspectos como a extensão da alteração, a idade, o contexto de vida, experiências passadas, etc. Por isso, adeqúe estas dicas à pessoa com que está a articular. Em caso de dúvida, o melhor é sempre esclarecê-las com a própria pessoa.
- Pessoas com alterações nas funções neuromusculoesqueléticas e relacionadas com o movimento
- Ao conversar com uma pessoa em cadeira de rodas procure sentar-se de modo a ficar visualmente ao mesmo nível
- Não se encoste ou apoie na cadeira de rodas
- Mantenha as muletas, bengalas ou andarilhos próximo da pessoas com deficiências e incapacidades
- Palavras como “andar” e “correr” podem e devem ser usadas naturalmente
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- Pessoas com alterações nas funções visuais
- Ao aproximar-se da pessoa, comece sempre por se identificar a si e a quem estiver consigo
- Como guia dê o seu braço e coloque a mão da pessoa no seu cotovelo dobrado
- Avise atempadamente da existência de obstáculos
- Ao orientá-la, dê direções claras como: “direita”, “esquerda”, “acima”, “abaixo”, “para frente” ou “para trás”
- Indique as distâncias em metros
- Quando se ausentar, avise a pessoa para que ela não fique a falar sozinha
- Palavras como “veja” e “olhe” podem e devem ser usadas espontaneamente
- Faça naturalmente referência a cores, formas e padrões
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- Pessoas com alterações nas funções auditivas
- Um aceno de mão ou um toque no braço são suficientes para chamar à atenção da pessoa
- Posicione-se de frente para a pessoa
- Fale sem tapar a boca, de forma clara e pausada
- Seja expressivo, se pretende transmitir sentimentos e emoções
- Mantenha sempre o contacto visual durante a conversa
- Dirija-se sempre à pessoa mesmo que ela esteja acompanhada por um intérprete
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- Pessoas com alterações nas funções da voz e da fala
- Olhe diretamente para a pessoa
- Fale pausadamente e use poucas palavras de cada vez
- Espere pela sua vez de falar e não corrija ou tente adivinhar o que ela quer dizer
- Só comece a falar quando tiver certeza de que ela terminou o que tinha a dizer
- Demonstre que a escuta com atenção
- Se não entendeu o que a pessoa disse, não tenha receio de pedir que repita ou escreva
Para mais informação consulte o Manual de Etiqueta – Interacção com a Pessoa com Deficiência do Instituto do Emprego e Formação Profissional
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